terça-feira, 3 de julho de 2012

Capoeira


 
A Capoeira é uma arte marcial Afro-brasileira que incorpora movimentos de luta, acrobacias,
 dança, percussão e música num diálogo rítmico de corpo, mente e  espirito.   É  um  jogo  de
 dois oponentes que acontece dentro de um circulo, formado por outros jogadores, os  quais
 criam um ritmo para o jogo batendo palmas, cantando e tocando instrumentos tradicionais.
 A capoeira surgiu na época da escravidão e a tradição nos mostra que é  genuinamente  bra-
 sileira, pois existem lutas na África, mas nenhuma semelhante à nossa.   Antigamente, a  ca-
 poeira era relacionada à malandragem e religiões.  Era considerada uma forma de luta disfar-
 çada em dança e ritual, onde associavam a luta às músicas e ritmos de  candomblé,  religião
 dos negros escravos.
 Capoeira era nome dado aos locais de mato baixo, entre árvores, onde os escravos fugitivos
 treinavam  este tipo de luta e daí o nome.   Esta prática foi levada para as ruas após  a  aboli-
 ção da escravatura, quando foi proibida por lei e revogada somente em  1930,  começando  a
 ser praticada dentro de recintos fechados.
 Atualmente, a capoeira é estendida como arte.   É um jogo de  movimentos  entre  duas  pes-
 soas com características de luta e, portanto, não se usa dizer “lutar capoeira”  e  sim   “jogar
 capoeira”
 Quando uma pessoa começa a praticar capoeira em uma academia ou grupo, por exemplo, é
 chamada de “pagão”.  O aluno não tem corda, mas após 7 ou 8  meses  de  prática,  ocorre  o
 “batismo”, festa onde se reúnem capoeiristas e mestres.  O batizado nada mais do que  uma
 apresentação do novo capoeirista aos demais.   No batizado o capoeirista recebe  a  sua  pri-
 meira graduação e também um apelido.
 O apelido é uma tradição na capoeira e lembra os tempos em que os capoeiristas eram  obri-
 gados a usar codinomes para não serem identificados.
 A partir do batizado o capoeirista passa a ter  também  um  “padrinho de capoeira”  que  é  o
mestre que jogou com ele durante o batizado.
 O aluno deve “jogar” com o mestre e levar “um tombo” do mesmo, ganhando assim sua  pri-
 meira corda que é a corda verde, tornando-se um capoeirista.  As próximas cordas são  ama-
 rela, azul, verde-amarela, azul-verde, azul-amarela. Para chegar à professor, o capoeirista de-
 ve ter pelo menos 12 anos de prática; contramestre, 17 anos de prática e mestre 23 anos.
 Os capoeiristas jogam no meio de uma roda feita pelos próprios, em torno  do  qual  se  sem-
 tam ou apenas se agacham.  Junto à entrada da roda ficam os instrumentos, com o(s) berim-
 bau(s) ao centro, comandando a roda.  Todos os participantes devem saber tocar  os  instru-
 mentos, de modo que possam revezar-se na função, permitindo assim que todos tenham sua
 vez de jogar, acompanhando sempre o ritmo ditado pelo berimbau.  Todos devem responder
 em coro aos versos cantados.   O jogo entre dois capoeiristas pode terminar ao comando do
 capoeirista no berimbau ou quando algum capoeirista da roda entra entre os dois e inicia um
 novo jogo com um deles.


 A base do jogo de capoeira é a ginga e a partir dela é que saem os golpes que não são  mui-
 tos, mas cheios de pequenas variações que o praticante da capoeira vai descobrindo ao lon-
go dos anos.  Ginga, rabo de arraia, aú, role, rasteira, cabeçada,  queda  de  quatro,  esquiva,
 meia-lua, bananeira, chapa, ponta de pé são movimentos básicos que contam com inúmeras
 variações, que permitem seu uso para momentos de defesa e ataque.   Ainda existem os mo-
 vimentos acrobáticos como bico de papagaio e mortal que são usados para enfeitar as apre-
 sentações, mas não representam um diálogo e sim uma demonstração de habilidade.
 Durante a roda são entoadas cantigas que, segundo Areias (1983), se dividem em dois tipos:
 cantos corridos e ladainha.  A diferença entre o canto corrido e a  ladainha  está  no  fato  de,
 na ladainha, sempre contar-se uma história, geralmente sem a resposta  ou  interferência  do
 coro, que participa apenas no momento que o cantor acaba a  história  e  entre  no  canto  de
 entrada dizendo “iê é hora é hora” e assim por diante, até chegar na expressão “dá volta  ao
 mundo”,  Já no canto corrido, o cantador não tem a preocupação de contar  nenhuma  histó-
ria , as frases são ditas aleatoriamente, falando de  assuntos  diversos,  e  a  participação  do
 coro é imediata e necessária desde o seu inicio.

 Hoje em dia a capoeira é dividida em três tipos: capoeira de angola (tradição do Mestre  Pas-
 tinha), Capoeira Regional (tradição do Mestre Bimba) e a Capoeira Contemporânea.
 A capoeira de Angola é o estilo mais antigo, criado na época da  escravidão.    As  principais
 caracteristicas deste estilo são: ritmo musical lento, golpes jogados   mais  baixos  (próximo
 ao solo) e muita malicia.  Durante a roda os participantes batem palmas.
 O uniforme utilizado pelos praticantes deste estilo é composto por uma calça  preta  ou  mar-
 rom e uma camiseta amarela.  Durante uma roda quem está assistindo não participa do coro.
 É considerada muito mais uma dança do que uma luta.
 A capoeira Regional caracteriza pela mistura da malicia da capoeira angola com o jogo  rápi-
 do de movimentos, ao som do berimbau. Os golpes são rápidos e secos, sendo que as acro-
 bacias são menos utilizadas.   Os alunos, que usam abadas (calça e  camiseta  branca),  são
 batizados por mestres.  Os capoeiristas regionais passam por oito cordões  de  acordo  com
 sua graduação e nível técnico.  Na roda, os assistentes podem bater palmas e também  parti-
 cipam do coro.  É considerada como uma modalidade esportiva.
 Já a capoeira contemporânea é a mais praticada atualmente, que une um pouco dos dois pri-
 meiros estilos.

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