A
Capoeira é uma arte marcial Afro-brasileira que incorpora movimentos de luta,
acrobacias,
dança, percussão e música num diálogo rítmico
de corpo, mente e espirito. É um jogo
de
dois oponentes que acontece dentro de um
circulo, formado por outros jogadores, os
quais
criam um ritmo para o jogo batendo palmas,
cantando e tocando instrumentos tradicionais.
A capoeira surgiu na época da escravidão e a
tradição nos mostra que é
genuinamente bra-
sileira, pois existem lutas na África, mas
nenhuma semelhante à nossa.
Antigamente, a ca-
poeira era relacionada à malandragem e
religiões. Era considerada uma forma de
luta disfar-
çada em dança e ritual, onde associavam a luta
às músicas e ritmos de candomblé, religião
dos negros escravos.
Capoeira era nome dado aos locais de mato baixo,
entre árvores, onde os escravos fugitivos
treinavam
este tipo de luta e daí o nome.
Esta prática foi levada para as ruas após a
aboli-
ção da escravatura, quando foi proibida por
lei e revogada somente em 1930, começando
a
ser praticada dentro de recintos fechados.
Atualmente, a capoeira é estendida como
arte. É um jogo de movimentos
entre duas pes-
soas com características de luta e, portanto,
não se usa dizer “lutar capoeira” e sim
“jogar
capoeira”
Quando uma pessoa começa a praticar capoeira
em uma academia ou grupo, por exemplo, é
chamada de “pagão”. O aluno não tem corda, mas após 7 ou 8 meses
de prática, ocorre
o
“batismo”, festa onde se reúnem capoeiristas e
mestres. O batizado nada mais do
que uma
apresentação do novo capoeirista aos
demais. No batizado o capoeirista
recebe a
sua pri-
meira graduação e também um apelido.
O apelido é uma tradição na capoeira e lembra
os tempos em que os capoeiristas eram
obri-
gados a usar codinomes para não serem
identificados.
A partir do batizado o capoeirista passa a
ter também um
“padrinho de capoeira” que é o
mestre
que jogou com ele durante o batizado.
O aluno deve “jogar” com o mestre e levar “um
tombo” do mesmo, ganhando assim sua pri-
meira corda que é a corda verde, tornando-se
um capoeirista. As próximas cordas
são ama-
rela, azul, verde-amarela, azul-verde,
azul-amarela. Para chegar à professor, o capoeirista de-
ve ter pelo menos 12 anos de prática;
contramestre, 17 anos de prática e mestre 23 anos.
Os capoeiristas jogam no meio de uma roda
feita pelos próprios, em torno do qual
se sem-
tam ou apenas se agacham. Junto à entrada da roda ficam os instrumentos,
com o(s) berim-
bau(s) ao centro, comandando a roda. Todos os participantes devem saber tocar os
instru-
mentos, de modo que possam revezar-se na
função, permitindo assim que todos tenham sua
vez de jogar, acompanhando sempre o ritmo
ditado pelo berimbau. Todos devem
responder
em coro aos versos cantados. O jogo entre dois capoeiristas pode terminar
ao comando do
capoeirista no berimbau ou quando algum
capoeirista da roda entra entre os dois e inicia um
novo jogo com um deles.
A base do jogo de capoeira é a ginga e a
partir dela é que saem os golpes que não são
mui-
tos, mas cheios de pequenas variações que o
praticante da capoeira vai descobrindo ao lon-
go
dos anos. Ginga, rabo de arraia, aú,
role, rasteira, cabeçada, queda de
quatro, esquiva,
meia-lua, bananeira, chapa, ponta de pé são
movimentos básicos que contam com inúmeras
variações, que permitem seu uso para momentos
de defesa e ataque. Ainda existem os
mo-
vimentos acrobáticos como bico de papagaio e
mortal que são usados para enfeitar as apre-
sentações, mas não representam um diálogo e
sim uma demonstração de habilidade.
Durante a roda são entoadas cantigas que,
segundo Areias (1983), se dividem em dois tipos:
cantos corridos e ladainha. A diferença entre o canto corrido e a ladainha
está no fato
de,
na ladainha, sempre contar-se uma história,
geralmente sem a resposta ou interferência
do
coro, que participa apenas no momento que o
cantor acaba a história e
entre no canto
de
entrada dizendo “iê é hora é hora” e assim por
diante, até chegar na expressão “dá volta
ao
mundo”,
Já no canto corrido, o cantador não tem a preocupação de contar nenhuma
histó-
ria
, as frases são ditas aleatoriamente, falando de assuntos
diversos, e a
participação do
coro é imediata e necessária desde o seu
inicio.
Hoje em dia a capoeira é dividida em três
tipos: capoeira de angola (tradição do Mestre
Pas-
A capoeira de Angola é o estilo mais antigo,
criado na época da escravidão. As
principais
caracteristicas deste estilo são: ritmo
musical lento, golpes jogados mais baixos
(próximo
ao solo) e muita malicia. Durante a roda os participantes batem palmas.
O uniforme utilizado pelos praticantes deste
estilo é composto por uma calça
preta ou mar-
rom e uma camiseta amarela. Durante uma roda quem está assistindo não
participa do coro.
É considerada muito mais uma dança do que uma
luta.
A capoeira Regional caracteriza pela mistura
da malicia da capoeira angola com o jogo
rápi-
do de movimentos, ao som do berimbau. Os
golpes são rápidos e secos, sendo que as acro-
bacias são menos utilizadas. Os alunos, que usam abadas (calça e camiseta
branca), são
batizados por mestres. Os capoeiristas regionais passam por oito
cordões de acordo
com
sua graduação e nível técnico. Na roda, os assistentes podem bater palmas e
também parti-
cipam do coro.
É considerada como uma modalidade esportiva.
Já a capoeira contemporânea é a mais praticada
atualmente, que une um pouco dos dois pri-
meiros estilos.
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