terça-feira, 3 de julho de 2012

Corpolatria

 
 A Corpolatria é uma espécie de “patologia da modernidade” caracterizada pela preocupação e  cuidado
extremos com o próprio corpo não exatamente no sentido da saúde, mas particularmente no  sentido de
sua aparência ou embelezamento físico.
Para o corpólatra, a própria imagem refletida no espelho se  torna  obsedante,  incapaz  de  satisfazer-se
com ela, sempre achando que pode e deve aperfeiçoá-la.  Sendo assim, a corpolatriase  manifesta  como
exagero no recurso às cirurgias plásticas, gastos excessivos com roupas e tratamentos estéticos, abuso da
musculação, uso de anabolizantes, etc.
 A chamada “Corpolatria” tratada como patologia passa dos limites de  se  cuidar  apenas  do  corpo,  da
saúde e da vaidade.  As pessoas muitas vezes confundem saúde e beleza.  E nem sempre essas duas coisas
estão incluídas e/ou juntas.  Pode-se ter saúde sem ter beleza e pode-se ter  beleza  sem  ter  saúde.   Sem
contar com o fato de que beleza é um conceito muito relativo.
 A aparência física tem se tornado um fator cada vez mais importante na vida das  pessoas.   Nesse  senti-
do, existe uma forte pressão social para que os indivíduos sejam “bonitos” e “fortes”.   O exagero da vai-
dade muitas vezes é levado ao extremo para responder às exigências da moda.   As  pessoas  querem  ser
magras a qualquer custo, mesmo que isso custe a própria saúde.
 A mídia tem uma grande influência nisso.  A idéia de humanidade está  se  perdendo  a  partir de  coisas
fúteis.  Os conteúdos expostos diariamente nas revistas de moda, nas novelas, nos programas de TV, etc,
valorizam um certo padrão de beleza que cria uma série de ilusões, entre elas, a de que para ser  belo (a)
ou para ser feliz, precisa-se estar exatamente dentro dos padrões estabelecidos pela mídia.
 As academias, poderíamos assim dizer, podem se tornar os verdadeiros  shoppings  do  corpo.   Ou  seja, não bastam estar lá com o intuito de entrar em forma há  que  se  exibir  também  os  diversos  acessórios
utilizados durante essa prática corporal, como tênis, amarradores de cabelo, entre outros  objetos  estéti-
cos voláteis, como sugere o autor.  Assim os nichos de academias vêm sendo  transformados  em  espaços
socialmente reforçados por intensos apelos midiáticos de consumo de toda ordem. 
 No contexto atual, há uma profunda valorização da forma estética enquanto fator de  representação  so-
cial.   Ser belo(a), jovem e magro(a) virou uma assídua busca social.  Nos dizeres de Zenóbio: ser bonito,
atraente, magro, enfim, estar em boa forma: itens de uma lista ideal de pedidos para uma vida realizada
atualmente.  Mecanismos de uma auto-encenação que se tornam mais sutis e avançam até a última e pri-
meira instância humana: o corpo.  Fato observável é que um ideal da beleza normaliza,  cada  vez  mais,
corpos abstraídos de uma medida ideal.  
 O contorno corporal perfeito é amplamente associado à beleza, completude,  e  felicidade,  fazendo  com
que pessoas façam uso indiscriminado de dietas abusivas, produtos dietéticos sem orientações, e a  práti-
ca excessiva de exercícios físicos.  Ter um corpo perfeito é ter competência, elegância,  classe,  disciplina,
ter força de vontade e felicidade.  A questão estética  deixa  de  ser  harmonia  e  passa  a  ser  imposição,
transformando uma “verdadeira epidemia de culto ao corpo”.  Este culto ao corpo, transforma  o  corpo
em corpo objeto, distante do corpo sujeito, a tentativa de ser algo que não lhe compete.   As  pessoas  em
geral, em particular as adolescentes, costumam crer que modelos, artistas de cinema e de televisão sejam
protótipos a serem copiados. São lançados então, esforços para a obtenção do perfil estético estabelecido.


 Surgindo um quadro propício para a emergência da anorexia e bulimia.  Tendo em vista que anorexia e
bulimia surgem com grande freqüência na adolescência, é fundamental elucidar que sempre houve  con-
dições favoráveis para o desabrochar destes, mas no contexto atual eles ganharam um novo álibi,  uma
vez que a supervalorização do corpo vira sinônimo de status social.

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