A Corpolatria é uma espécie de “patologia da
modernidade” caracterizada pela preocupação e
cuidado
extremos
com o próprio corpo não exatamente no sentido da saúde, mas particularmente
no sentido de
sua
aparência ou embelezamento físico.
Para
o corpólatra, a própria imagem refletida no espelho se torna
obsedante, incapaz de
satisfazer-se
com
ela, sempre achando que pode e deve aperfeiçoá-la. Sendo assim, a corpolatriase manifesta
como
exagero
no recurso às cirurgias plásticas, gastos excessivos com roupas e tratamentos
estéticos, abuso da
musculação,
uso de anabolizantes, etc.
A chamada “Corpolatria” tratada como patologia
passa dos limites de se cuidar
apenas do corpo,
da
saúde
e da vaidade. As pessoas muitas vezes
confundem saúde e beleza. E nem sempre
essas duas coisas
estão
incluídas e/ou juntas. Pode-se ter saúde
sem ter beleza e pode-se ter beleza sem
ter saúde. Sem
contar
com o fato de que beleza é um conceito muito relativo.
A aparência física tem se tornado um fator
cada vez mais importante na vida das
pessoas. Nesse senti-
do,
existe uma forte pressão social para que os indivíduos sejam “bonitos” e
“fortes”. O exagero da vai-
dade
muitas vezes é levado ao extremo para responder às exigências da moda. As
pessoas querem ser
magras
a qualquer custo, mesmo que isso custe a própria saúde.
A mídia tem uma grande influência nisso. A idéia de humanidade está se
perdendo a partir de
coisas
fúteis. Os conteúdos expostos diariamente nas
revistas de moda, nas novelas, nos programas de TV, etc,
valorizam
um certo padrão de beleza que cria uma série de ilusões, entre elas, a de que
para ser belo (a)
ou
para ser feliz, precisa-se estar exatamente dentro dos padrões estabelecidos
pela mídia.
As academias, poderíamos assim dizer, podem se
tornar os verdadeiros shoppings do
corpo. Ou seja, não bastam estar lá com o intuito de
entrar em forma há que se
exibir também os
diversos acessórios
utilizados
durante essa prática corporal, como tênis, amarradores de cabelo, entre
outros objetos estéti-
cos
voláteis, como sugere o autor. Assim os
nichos de academias vêm sendo
transformados em espaços
socialmente
reforçados por intensos apelos midiáticos de consumo de toda ordem.
No contexto atual, há uma profunda valorização
da forma estética enquanto fator de
representação so-
cial. Ser belo(a), jovem e magro(a) virou uma
assídua busca social. Nos dizeres de
Zenóbio: ser bonito,
atraente,
magro, enfim, estar em boa forma: itens de uma lista ideal de pedidos para uma
vida realizada
atualmente. Mecanismos de uma auto-encenação que se
tornam mais sutis e avançam até a última e pri-
meira
instância humana: o corpo. Fato
observável é que um ideal da beleza normaliza,
cada vez mais,
corpos
abstraídos de uma medida ideal.
O contorno corporal perfeito é amplamente
associado à beleza, completude, e felicidade,
fazendo com
que
pessoas façam uso indiscriminado de dietas abusivas, produtos dietéticos sem
orientações, e a práti-
ca
excessiva de exercícios físicos. Ter um
corpo perfeito é ter competência, elegância,
classe, disciplina,
ter
força de vontade e felicidade. A questão
estética deixa de
ser harmonia e
passa a ser
imposição,
transformando
uma “verdadeira epidemia de culto ao corpo”.
Este culto ao corpo, transforma
o corpo
em
corpo objeto, distante do corpo sujeito, a tentativa de ser algo que não lhe
compete. As pessoas
em
geral,
em particular as adolescentes, costumam crer que modelos, artistas de cinema e
de televisão sejam
protótipos
a serem copiados. São lançados então, esforços para a obtenção do perfil
estético estabelecido.
Surgindo um quadro propício para a emergência
da anorexia e bulimia. Tendo em vista
que anorexia e
bulimia
surgem com grande freqüência na adolescência, é fundamental elucidar que sempre
houve con-
dições
favoráveis para o desabrochar destes, mas no contexto atual eles ganharam um
novo álibi, uma
vez
que a supervalorização do corpo vira sinônimo de status social.
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