terça-feira, 3 de julho de 2012

Inclusão e Exclusão no Esporte


 
Todos sabem que o esporte é uma ferramenta de inclusão social.  Porém, transformá-lo de fato em  uma
 ferramenta de inclusão social é que é o problema.  A sua utilização, infelizmente, sempre foi para a  cap-
 tacão de votos ou de recursos financeiros.  Em outros casos, como produto de maquiagem para encobrir
 as mazelas existentes.  E com esse viés, uma minoria pratica e é  beneficiada.   Enquanto  que  a  maioria
 assiste e é marginalizada.  É a inversão que se dá quando se prioriza  o  alto  rendimento  e  a  pirotecnia
 das grandes e absurdas realizações.  A base, o  desporto  educacional,  prioridades  constitucionais,  aca-
 bam prejudicados.  E o pior é que tudo isso acontece com o respaldo de grande parte da  mídia.   Afinal,
 a audiência se dá com a minoria praticando e a maioria assistindo.
 E por falar no processo de inclusão que o esporte propicia, algumas modalidades acabam sendo mais in-
 clusivas do que outras.  Sem nenhuma dúvida, o Atletismo é a mais inclusiva de  todas.  No Atletismo to-
 dos têm vez: o veloz, o resistente, o gordinho (nos arremessos) e o mais alto (nos saltos). 
 Hoje em dia fala-se muito em projetos como, por exemplo, o  Projeto  Esporte  na  Escola,  cujo  objetivo
 principal é garimpar futuros campeões.  Este projeto é equivocado desde sua concepção, uma vez  que  a
 escola não é vitrine para campeões, nem do esporte, nem de  qualquer  outro  componente  curricular,  e
 sim um espaço de socialização, integração e, principalmente, intercâmbio de conhecimento.   Quando in-
 serimos esse esporte no contexto escolar ao invés de promover  a  inclusão,  na  verdade,  estamos  sendo
 coniventes com a exclusão, pois os mais habilidosos (minoria) integram a equipe e os  menos  habilidosos
 (grande maioria), geralmente, acabam sendo deixados de lado.  
 O esporte como prática corporal encontra-se inserido de uma maneira fortemente presente no ambiente
 escolar.  Inúmeros discursos, principalmente de nossos governantes, apresentam-no como fator de inclu-
 são social.  No entanto, quando nos voltamos para a essência, para o fio condutor das atividades  esporti-
 vas destacamos: a competição, a vitória, a conquista, entre outros.  Paradoxalmente, os objetivos  do  es-
 porte  acarretam à maioria dos alunos a experiência da exclusão social, pois poucos possuem aptidões fí-
 sicas para participarem de uma equipe que tem a vitória a razão de sua existência.
 Um fator extremamente relevante é o conhecimento do contexto no qual  estamos  inseridos.   Cada  sala
 de aula revela-nos uma realidade nova.   É praticamente impossível encontrarmos uma série onde  todos
 os alunos sintam-se atraídos pelo esporte.
 Infelizmente, os professores acabam priorizando os mais habilidosos, excluindo os menos aptos,  que  na
 maioria das vezes, não jogam ou são os últimos a serem escolhidos, ou participam dos jogos  somente  de
 corpo presente ou, ainda, quando sua equipe vence, o mérito é sempre dos outros e quando perde  a  cul
 pa é dele.  Esse quadro apresentado está excessivamente presente nas aulas de Educação Física  espalha-
 das por todas as escolas do país, sem distinção de níveis:  Municipal,  Estadual  ou  Particular.   O  triple
 que sustenta a prática esportiva na escola, técnica, cognição e sociabilização, acaba  apresentando-se  de
 maneira manca, pois a técnica é bem explorada, e as cognições deixam falhas devido  ao  fato  dos  movi-
 mentos serem mecânicos, não havendo reflexão sobre a  prática  e  sociabilização ,  contemplando,  como
 relatamos, a exclusão dos alunos menos habilidosos.
 Respondendo nossa pergunta inicial, “Esporte: Inclusão ou Exclusão?”, podemos concluir que o esporte


 bem trabalhado, torna-se um instrumento muito potente para a promoção da  inclusão,  respeitando  as
 características e as individualidades do nosso grupo de alunos, entendendo o sentido e a execução de  ca-
 da movimento, compreendendo virtudes e limitações, individuais e de seu grupo.
 Quando negamos essa realidade, focando o esporte de rendimento, o esporte “na escola”, acabamos pro-
 movendo a exclusão em nosso grupo.  Muitas vezes, resultados competitivos são atingidos, a  escola  ven-
 ce campeonatos, o professor é prestigiado, muitos alunos sonham com o sucesso esportivo, mas  o  preço
 dessas conquistas será pessoas adultas, no futuro, negando a prática esportiva porque passaram pela ex-
 periência da exclusão na idade escolar.

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