Todos
sabem que o esporte é uma ferramenta de inclusão social. Porém, transformá-lo de fato em uma
ferramenta de inclusão social é que é o
problema. A sua utilização,
infelizmente, sempre foi para a cap-
tacão de votos ou de recursos
financeiros. Em outros casos, como
produto de maquiagem para encobrir
as mazelas existentes. E com esse viés, uma minoria pratica e é beneficiada.
Enquanto que a
maioria
assiste e é marginalizada. É a inversão que se dá quando se
prioriza o alto
rendimento e a
pirotecnia
das grandes e absurdas realizações. A base, o
desporto educacional, prioridades
constitucionais, aca-
bam prejudicados. E o pior é que tudo isso acontece com o
respaldo de grande parte da mídia. Afinal,
a audiência se dá com a minoria praticando e a
maioria assistindo.
E por falar no processo de inclusão que o
esporte propicia, algumas modalidades acabam sendo mais in-
clusivas do que outras. Sem nenhuma dúvida, o Atletismo é a mais
inclusiva de todas. No Atletismo to-
dos têm vez: o veloz, o resistente, o gordinho
(nos arremessos) e o mais alto (nos saltos).
Hoje em dia fala-se muito em projetos como,
por exemplo, o Projeto Esporte
na Escola, cujo
objetivo
principal é garimpar futuros campeões. Este projeto é equivocado desde sua
concepção, uma vez que a
escola não é vitrine para campeões, nem do
esporte, nem de qualquer outro
componente curricular, e
sim um espaço de socialização, integração e,
principalmente, intercâmbio de conhecimento.
Quando in-
serimos esse esporte no contexto escolar ao
invés de promover a inclusão,
na verdade, estamos
sendo
coniventes com a exclusão, pois os mais
habilidosos (minoria) integram a equipe e os
menos habilidosos
(grande maioria), geralmente, acabam sendo
deixados de lado.
O esporte como prática corporal encontra-se
inserido de uma maneira fortemente presente no ambiente
escolar.
Inúmeros discursos, principalmente de nossos governantes, apresentam-no
como fator de inclu-
são social.
No entanto, quando nos voltamos para a essência, para o fio condutor das
atividades esporti-
vas destacamos: a competição, a vitória, a
conquista, entre outros. Paradoxalmente,
os objetivos do es-
porte
acarretam à maioria dos alunos a experiência da exclusão social, pois
poucos possuem aptidões fí-
sicas para participarem de uma equipe que tem
a vitória a razão de sua existência.
Um fator extremamente relevante é o
conhecimento do contexto no qual
estamos inseridos. Cada
sala
de aula revela-nos uma realidade nova. É praticamente impossível encontrarmos uma
série onde todos
os alunos sintam-se atraídos pelo esporte.
Infelizmente, os professores acabam
priorizando os mais habilidosos, excluindo os menos aptos, que na
maioria das vezes, não jogam ou são os últimos
a serem escolhidos, ou participam dos jogos
somente de
corpo presente ou, ainda, quando sua equipe
vence, o mérito é sempre dos outros e quando perde a cul
pa é dele. Esse quadro apresentado está excessivamente
presente nas aulas de Educação Física
espalha-
das por todas as escolas do país, sem
distinção de níveis: Municipal, Estadual
ou Particular. O
triple
que sustenta a prática esportiva na escola,
técnica, cognição e sociabilização, acaba
apresentando-se de
maneira manca, pois a técnica é bem explorada,
e as cognições deixam falhas devido
ao fato dos
movi-
mentos serem mecânicos, não havendo reflexão
sobre a prática e
sociabilização , contemplando, como
relatamos, a exclusão dos alunos menos
habilidosos.
Respondendo nossa pergunta inicial, “Esporte:
Inclusão ou Exclusão?”, podemos concluir que o esporte
bem trabalhado, torna-se um instrumento muito
potente para a promoção da
inclusão, respeitando as
características e as individualidades do nosso
grupo de alunos, entendendo o sentido e a execução de ca-
da movimento, compreendendo virtudes e
limitações, individuais e de seu grupo.
Quando negamos essa realidade, focando o
esporte de rendimento, o esporte “na escola”, acabamos pro-
movendo a exclusão em nosso grupo. Muitas vezes, resultados competitivos são
atingidos, a escola ven-
ce campeonatos, o professor é prestigiado,
muitos alunos sonham com o sucesso esportivo, mas o preço
dessas conquistas será pessoas adultas, no
futuro, negando a prática esportiva porque passaram pela ex-
periência da exclusão na idade escolar.
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